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07 ago

Três semanas se passaram desde a estréia do filme “Harry Potter e as Relíquias da Morte” – Parte 2. Já posso falar sem estragar o filme para quem não leu o livro.

Dos oito filmes, especialmente no que tange à fidelidade ao livro, esse é um dos melhores. Se considerarmos apenas os filmes, outros se destacam na preferência geral, como o filme três, “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, que com sua narrativa de rapidez frenética conquistou o público. Mas voltando ao ponto, talvez a segunda parte de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” seja o melhor, mesmo tendo suprimido a existência de Ted Lupin, filho de Tonks e Lupin, e afilhado de Harry. Senti falta dele, por tudo o que representa.

A primeira parte foi excepcional, com destaque para a animação que ilustra “O Conto dos Três Irmãos”; e que levou boa parte do público às lágrimas com a morte de Dobby. Mas achei uma pena a falta da fidelidade ao livro, em que a morte ocorre à noite, e após o elfo quase sem vida pronunciar suas últimas palavras “- Harry… Potter…”, segue-se uma das frases mais tristes e mais bonitas do livro:

“E, então, com um tremor, o elfo ficou muito quieto e seus olhos eram apenas grandes globos vítreos salpicados com a luz das estrelas que ele já não podiam ver.”

As duas partes de “Harry Potter e as Relíquias da morte” mostraram, pela primeira vez, um equilíbrio entre a fidelidade ao livro, e a linguagem cinematográfica. As adaptações necessárias para levar a história às telas não aleijaram a história, ao mesmo tempo que não foram filmes cansativos para os que não leram os livros. Obviamente, a imaginação de cada um sempre será melhor que todo o resto, mas os filmes sete e oito conseguiram agradar a gregos e troianos.

A expectativa com relação ao desfecho da série, o ponto final dos sete livros e oito filmes, era grande. Muito grande. Depois de esperar semanas com os ingresso na mão, fui com um grande grupo de família e amigos à pré-estréia, nos primeiros minutos do dia 15 de julho, no Cinépolis Lagoon. (Aliás, ótimo cinema, mesmo com a decepção por Tom Felton não ter aparecido por lá.) Centenas de adolescentes frenéticos (e outros frenéticos já um pouco passados dessa fase da vida, como eu) fantasiados de estudantes de Hogwarts, Harry, Rony, Hermione, Dumbledore e mesmo um Sirius fugitivo. Muitas varinhas empunhadas e muita animação no ar. E confesso, sou culpada de travar um duelo com minhas sobrinhas, à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas. Não me arrependo nem um pouco.

Os leitores possuiam informação pivilegiada sobre o caráter de Severo Snape, e aguardavam ansiosos pela encenação de sua história. Para nós, não havia surpresa, mas ainda assim vimos Alan Rickman roubar o filme. Não houve espaço nem para o Vodemort de Ralph Fiennes, que se destacou mais na primera parte do fim. Todo o espaço dedicado a contar a história de sua amizade e amor por Lilian Potter foi de tirar o fôlego, até o último momento do personagem.

Algo inédito: uma cena anunciada nos trailers, que sequer existe no livro, deixou os fãs na expectiva. Em um dos trailers, há uma cena em que Harry e Voldemort estão frente a frente, e Voldemort pergunta “Por que você vive?”. Harry responde: “Porque tenho algo pelo qual vale a pena viver!” (Desculpe a petulância, mas em inglês fica muito melhor: – Why do you live? / – Because I have something worth living for!) Parecia uma cena ótima, emocionante. Espero que esteja nos extras do DVD / Blu-Ray.

Falando em ótimas cenas que não estão no livro, outra parte dos trailers me deixou intrigada. A cena em que Harry se atira de um penhasco com Voldemort, gritando para que terminassem aquela guerra da mesma forma como a começara, juntos. Os fãs ficaram com a pulga atrás da orelha com aquele momento inexistente, mas que funcionou muito bem nas telas. A cena de uma batalha que antecede a luta final ficou emocionante, e fez sentido no contexto do filme.

Harry, Rony e Hermione estão fantásticos, é a melhor atuação de Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson nos oito filmes. Helena Bonham Carter também rouba as cenas em que aparece, personificando assustadoramente bem uma Hermione transformada em Belatriz. Matthew Lewis (Neville Longbotton) está fantástico, encarnando cenas que dão leveza à trama soturna e sombria, representando a esperança de que tudo acabará bem enquanto houver quem lute por isso.

O filme foi minucioso ao extremo, com requintes de crueldade para o coração dos fãs. A platéia nem se importou com as reações em voz alta ocasionadas por algumas cenas. Quem não aguardou ansioso pela luta entre Molly Weasley e Belatriz Lestrange, em que a mãe-de-todos da saga acaba com uma das principais vilãs ao som de “- Minha filha não, sua vaca!”, enchendo sua boca e saindo em alto e bom som?

Apesar de um dos temas principais do livro ser o amor, os romances não predominaram ao longo dos seis livros. A situação nunca resolvida entre Rony e Hermione teve seu ápice com um beijo (muito esperado) romântico em meio à Câmara Secreta, seguido de um Rony protetor na nervosas cenas seguintes. Ficou super fofo…

O que foi Minerva McGonagall protegendo o castelo?! Sensacional! Impetuosa, poderosa e divertida! Sem comentários. O real começo do fim, o “abro no fecho” (“I open at the close”) também foi fidedigno ao livro. E de fazer chorar, com Lupin fazendo parte da armada de fantasmas que acompanha Harry até seu sacrifício final. A criatura estranha que aparece na King´s Cross de Harry também ficou genial. Assustadoramente genial. E obrigada, Davis Yates, por incluir o diálogo:

” – Me diga uma última coisa – disse Harry. – Isso é real? Ou esteve acontecendo apenas em minha mente?

Dumbledore lhe deu um grande sorriso, e sua voz pareceu alta e forte aos ouvidos de Harry, embora a névoa clara estivesse baixando e ocultando seu vulto.

– Claro que está acontecendo em sua mente, Harry, mas por que isto significaria que não é real?”

Confesso ainda que imaginei a cena da luta final um pouco diferente… Gostaria que tivesse durado um pouco mais. Mas isso não a impediu de ser… épica.

Para começar a terminar, o eppílogo. J.K. Rowling já assumiu que se arrependeu de ter concebido um fim tão pequeno, tão resumido. Depois de sofrer tanto com os personagens,  gostaríamos de saber um pouco mais sobre o que aconteceu com eles. Rowling já deu diversas declarações contando o que aconteceu a alguns deles, mas seria muito mais prazeroso ler naqueles “Dezenove anos depois”, não seria?

Com relação a isso, ocorreu um fenômeno interesante. A opinião dos fãs importa e pode mudar a história: em entrevistas posteriores à publicação do último livro, JK contou os destino de alguns dos personagens, como Harry ter virado auror, Neville professor, e George te se casado com Angelina Johnson. Pois de acordo com essas declarações, Luna teria se casado com Rolf Scamander, filho de Newt Scamander (magizoologista e autor de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”). Porém, o público torceu tanto para que ela e Neville ficassem juntos, que o último filme resolveu agradar aos fãs, e  o comecinho de um romance está indicado lá.

Já disse por aqui que sou alucinada por trilhas sonoras de filmes? Elas devem representar cerca de 80% da capacidade do meu iPod. Não estou aqui para julgar a capacidade dos compositores, mas tenho que admitir que nunca gostei muito de Alexandre Desplat. Desconfiei do trabalho que faria e torci o nariz ao saber que ele seria responsável pela trilha sonora dos últimos dos filmes. Mea culpa. Ambas as trilhas foram excelentes, empolgantes, emocionantes. Grata surpresa.

Depois de sete livros indescritíveis e insuperáveis, um filme à altura para encerrar (ou não…) essa odisséia. Tudo para tornar os fãs ainda mais fãs, e tentar chamar mais pessoas  para o mundo de Harry Potter. O que já estou fazendo, tentando converter minha sobrinha mais nova. Dei-lhe o que ela chama carinhosamente de “pufofo”. Olha só a carinha dela na foto! Mais uma fã de Harry Potter em formação? Enfim, enquanto me pego imaginando como seria receber uma carta de Hogwarts, espero que um dia a Bia, assim como Duds, Cake e em breve, Malu, sorria consigo mesma ao ler “Tudo estava bem”.

 
 

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