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A próxima fagulha…

12 abr

Do blog   Mamãe, eu Quero

por Maria Fernanda Delmas

A próxima fagulha

Durante nossa infância, passada entre os anos 1970 e 80, eu e minha irmã do meio ansiávamos por quatro pequenos acontecimentos televisivos. Na falta de videocassete, restava que passassem na TV os três filmes que amávamos. “A fantástica fábrica de chocolate”, “A noviça rebelde” e “Assassinato por morte” eram momentos solenes na sala de estar, com lanchinho e permissão para dormir mais tarde. O outro acontecimento era previsível, por razões óbvias, mas não menos esperado: o clipe “Feliz Natal pra todos”, da Turma da Mônica, nas noites de 24 de dezembro.

Os períodos de racionamento nos faziam idolatrar e idealizar os programas. Não me lembro de quanto em quanto tempo a TV exibia esses filmes. Mas quando passavam, uma eternidade depois da exibição anterior, os diálogos e as cenas iam voltando aos poucos à cabeça. Eram os toscos oompa loompas e o jardim com tudo comestível na entrada da fábrica de chocolate. As canções, a história sofrida da família Von Trapp — imagino que foi como muitas crianças descobriram a existência do nazismo — e o antológico figurino das roupas de cortina. E, ainda, os personagens da sátira das histórias de detetive, com a cena impagável do mordomo cego e da criada surda-muda.

A cada nova exibição, parecia a primeira vez. Ou ao menos tinha um cheiro de coisa fresca. Depois vieram a popularização do videocassete, os DVDs, a TV a cabo, o YouTube, o pendrive. E qualquer filme está ao alcance da vista. Quando uma criança gosta de uma animação, pode assistir diariamente até (não) cansar. Minha irmã mais nova, que foi criança entre as décadas de 80 e 90 e já é da geração videocassete, assistiu a “Mary Poppins” todos os dias, durante meses.

Não é questão de saudosismo. Nada dessa poeira de que a vida sem tecnologia era melhor. E claro que essa história dos filmes é apenas uma ilustração. Mas às vezes acho que precisamos de um pouco mais de anseio. Assim como planejar a viagem semanas ou meses antes faz parte da curtição, ter aspirações é bom.

No início da década de 1990, em uma viagem ao Peru, conheci uma panamenha que se tornou uma grande amiga. Nós nos correspondíamos por carta, diante do DDI proibitivo. Passamos pelo e-mail, pelo barateamento das ligações internacionais, pelo Skype, pelo Facebook — e, apesar de muito ligadas, continuamos a nos falar tão pouco quanto antes. Nunca entendi bem por quê. Talvez porque o ser humano precise de uma certa dose de suspense. Quando falo com ela, é uma alegria renovada.
Espero, como mãe, saber dosar os presentes, as festas, as concessões e até os castigos. Para educar uma pessoa que nunca se contente com o simplesmente banal e que esteja atrás sempre da próxima fagulha.

 

Divirtam-se também!”

 

Tendo reblogado o post de minha sister, preciso agora me fazer representada nessa história. Com vocês, minha paixão de infância, mais uma com a qual espero contaminar minha filha:

Como eu sonhei em arrumar o quarto assim…

 

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